quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Saída de campo ao Algarve 2º Dia - Discordância angular

 No seguimento da saída de campo que o departamento da GeoFCUL organizou ao sudoeste Algarvio fomos visitar, no segundo dia, um dos geomonumentos mais famosos a nível nacional e até mesmo internacional. 

Discordância angular Carbónico - Triásico - Praia do Telheiro.

 Este geomonumento é pois a discodância ângular entre os xistos e grauvaques dobrados do Carbónico e os grés vermelhos, sub-horizontais, do Triásico, localizado na área protegida do parque natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, na Praia do Telheiro, freguesia de Vila do Bispo.

Infelizmente não conseguimos ir ao "hot spot" do monumento onde são frequentes as  excelentes fotos que  muitas vezes são usadas de forma didáctica. Ainda que neste local, não haja as dobras perfeitas do carbónico também é muito interessante e não deixa de ser um local espetacular.

Chegada à discordância angular Carbónico - Triásico.

As "discordâncias angulares" em geologia devem-se à não deposição e erosão de material estratiforme, que posteriormente será colmatado com um outro material sedimentar, originando camadas. As diferentes inclinações entre estas camadas fazem um ângulo entre si e daí vem o nome da discordância. 

Discordância angular com escala humana nas unidades do carbónico.

Para chegar a este local aconselho talvez um jipe, porém um autocarro também dá e foi o que fizemos, chegamos de autocarro de forma muito original e após contemplar a maravilhosa paisagem descemos a arriba e parecendo formigas ao pé dos blocos que nos dificultavam o acesso ao local chegamos lá e valeu a pena! 

"parque" de estacionamento 

Paisagem vista de cima da Praia do Telheiro. 

A caminho da descontinuidade.


quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Deposição de minérios - Pressão

Mudanças de pressão também causam alterações de solubilidade, porém necessita de ser substanciais (Cerca de 1000 bar) para a precipitação ocorrer. Os aumentos de pressão irão conduzir a redução de volume, que por sua vez promove a dissociação de complexos iónicas. Uma diminuição da pressão tende a favorecer um aumento da solubilidade contrariamente à temperatura. Todavia a pressão tem sobretudo uma influência indireta na formação de minério e um dos mais importantes fenómenos controlados por pressão na deposição de minério é a separação de fases, i.e., boiling e efervescência. Estes processos são importantes na deposição de minérios, pois promovem mudanças drásticas nas condições sob as quais os complexos metal-ligando são estáveis. O boiling é promovido pelo aumento da temperatura, em níveis mais superficiais da crusta, a transformação de líquido a vapor ocorre usualmente porque a pressão do fluído decresce. Em níveis profundos um decréscimo da pressão do fluído pode também ser acompanhado por efervescência, ou a transição de uma fase única H2O-CO2 misturada com outra fase onde o H2O e o CO2 não se encontram misturadas.

Pirite

Exemplo disso é de um fluido mesotermal homogéneo constituído por H2O + CO2, experimenta uma diminuição de pressão que terá o efeito de mover a linha solvus para temperaturas mais elevadas, de modo que o fluido fica imiscível, nas duas fases, segregando CO2 e H2O. A efervescência de CO2 afetará, as propriedades dos fluidos prevalecentes e promoverá a precipitação de componentes de ganga e minério (como sugere o modelo da válvula sísmica).

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Minerais para venda!

Dioptase 

Formula química: CuSiO3·H2O
Ocorrência principal: Este ciclossilicato está associa-se, como um mineral secundário, na zona oxidada dos depósitos minerais de sulfureto de cobre.
Caracteristicas físicas: Tem densidade 3.3 g/cm3, dureza 5 (escala de Mohs) e brilho vítreo a sub-adamantino.
Proveniência: Namíbia

Dioptase 

Dioptase 
Wulfenite

Formula química: PbMoO4
Ocorrência principal: Associado aos minérios de chumbo como mineral secundário nas zonas oxidadas. É também um minério secundário de molibdênio,
Caracteristicas físicas: Tem densidade 6.5 g/cm3, dureza 3 (escala de Mohs) e brilho vítreo adamantino a resinoso.
Proveniência: Marrocos

Wulfenite

Wulfenite
 Essonite (Granada - Grossularia)

Formula química: Ca3Al2(SiO4)3
Ocorrência principal: Geralemnte ocorre em a metamorfismo de contacto com calcários estando associado a  vesuvianite, diopside, wollastonite e wernerite, mas também pode estar associado a serpentinitos metamorfizados.
Caracteristicas físicas: Tem densidade 3.6 g/cm3, dureza 7.5 (escala de Mohs) e brilho vítreo a resinoso.
Proveniência: Brasil

Essonite

Em caso de interesse pode contactar: ricardoans95@gmail.com

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Deposição de minérios - Temperatura

O controlo da temperatura  na eficiência dos processos de deposição de metais na crosta.

A eficiência de deposição de minérios são resultado de parâmetros físico-químicos que influenciam estabilidade dos complexos metal-ligando e consequentemente a sua solubilidade de metais em fluídos e a sua variabilidade composicional. Estes parâmetros são controlados essencialmente por resultado de variações de temperatura, mudanças de pressão, separação de fases (boiling e efervescência), reações entre soluções/rocha e mudanças químicas devido à mistura de fluidos/diluição.

Em relação às variações de temperatura, um dos principais fatores de precipitação dos metais a partir de fluídos hidrotermais, afeta a solubilidade dos sulfuretos e óxidos, bem como a estabilidade dos complexos iónicos, ou seja, na deposição de minérios.  As alterações de temperatura podem ser causadas pela mistura de soluções quentes com águas frias próximas da superfície, particularmente comuns em zonas hidrotermais no fundo do mar, como sendo a precipitação imediata de sulfuretos em edifícios geológicos conhecidos por black smokers. Também eventos de descompressão adiabática causa variações rápidas de temperatura e ocorre quando a pressão muda de litostático para hidrostático. A compressão rápida provoca um aumento da temperatura, da mesma forma, a descompressão rápida resulta num abaixamento da temperatura. Segundo, Skinner (1979) acredita-se que uma queda de apenas 20°C pode ser suficiente para causar precipitação.

Calcopirite & Arsenopirite
Em diante serão discutidos uma sucessão outros parâmetros que controlam o depósito de minério.

domingo, 30 de outubro de 2016

A minha maior Amonite

 A Amonite que trago hoje é a maior da minha colecção de fósseis, mais uma vez não sei a sua origem, a pessoa que me deu, faz uns anos, não se lembrava de onde a trouxera, mas sem que foi apanhada em Portugal.

Amonite 

Em relação às dimensões deste fóssil, diâmetro 9,5 cm e 1,5 cm de espessura.

Carena central.

As suas características morfologia, são semelhantes a outras amonites que já referi no blogue e que fazem, também parte do arquivo do blogue. A sua concha apresenta-se com enrolamento  evoluto, discoidal. O bordo ventral com uma  carena central simples. O seu umbílico é amplo. A sua ornamentação corresponde a costilhas simples, espaçadas, curvando para a abertura e junto do bordo ventral. A sua ornamentação é constituída por costilhas falciformes.

Foto mais detalhada das suas ornamentações.


Como viveria este animal? Um organismos marinho predador solitário,  pelágico nectónico (nerítico a oceânicos).

A sua idade provavelmente varia do Jurássico ao Cretácico, não tendo conseguindo identificar o mesmo a sua éspécie... 

Reino: Animalia
Filo: Mollusca
Classe: Cephalopoda
Subclasse: † Ammonoidea
Ordem: † Ammonitida 

V~e mais post's relacionados com paleontologia aqui

Childrenite!

Pode parecer que este mineral é dedicado às crianças porque, em inglês, children significa "crianças", mas, na realidade, tem este nome em honra de um mineralogista britânico John George Children. 

Childrenite
(https://upload.wikimedia.org/wikipedia
/commons/a/a1/Childrenite-child-12a.jpg)

Este mineral ( Fe+2Al(PO94 (OH)2 ) pertence à classe dos fosfatos, cristaliza no sistema monoclínicao, tem dureza relativa de 4-4,5 , brilho vítreo a ceroso e traço branco. É a presença de ferro que explica os tons amarelados a acastanhados, no entanto, caso contenha algum magnésio, a cor varia ligeiramente e tem uma certa tendência para tons rosados ou avermelhados. 


Childrenite
(http://www.fabreminerals.com/specimens/
s_imagesT6/Childrenite-MG63T6d.jpg?big=1)

A childrenite é um mineral secundário que se forma pela alteração de minerais preexistentes ,em especial dos fosfatos que fazem parte das pegmatites graníticas. Entre esses minerais primários destacam-se a litiofilite e a trifilite, com as quais se associa habitualmente nas jazidas. A conversão só ocorre quando no meio circundante há alumínio e água nas proporções adequadas. Além das rochas graníticas, a childrenite também aparece por vezes em veios ou filões. 

Vivianite ( cor verde ) com Childrenite ( cor amarelada ) e Siderite ( cor branca-azulada)
(http://www.minfind.com/mfthumbs
/800_600_FFFFFF_2892095694e3125cde844d.JPG)


Não existem aplicações industriais para a Childrenite, pois nem a sua composição química nem as suas propriedades físicas são adequadas para utilização industrial ou gemológica. O único interesse deste mineral é puramente científico, além do coleccionismo. É possível de ser encontrado na Inglaterra, Estados Unidos, Brasil, Canadá e Alemanha. 


segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Barite com Vanadinite!

Uma excelente aquisição que consegui a um bom preço na XXIX Feira Internacional de minerais, gemas e fósseis em Lisboa, do ano passado. O seu brilho chamou-me a atenção, e como andava à procura de Vanadinite de maiores dimensões, este exemplar ,que tinha Barite (o mineral predominante, cor branca) que também era um mineral que pretenderia ter, decidi comprar. 

Este exemplar veio de Marrocos, que como veremos adiante é um dos principais exploradores destes dois minerais e tem dimensões de 12x8x5 cm.

Vanadinite em Barite branca

Falando agora um pouco destes dois minerais...
 Começando pela Barite,  ou Barita em Português do Brasil, consiste num sulfato de bário, BaSO4.   O seu nome tem origem por ser o principal mineral portador do elemento Bário (Ba), um elemento muito denso e o qual o seu nome é derivado da palavra grega βαρύς (pesado). Na verdade a Barite é um dos mineral não-metálicos com maior densidade, sendo a sua densidade de 4.48 g/cm3 , uma densidade que pode ser comparada com a Pirite (sulfureto de ferro) de densidade aprox.  4,95 – 5,10 g/cm3. Outras características físicas é o seu brilho vítreo, nacarado, cores várias, apesar de ser o mais comum ser a branca e incolor, entre amarelo, cinza e alaranjado e dureza relativa de 3-3.5 (escala de Mohs). Pertence ao sistema cristalino ortorrômbico e possui clivagem perfeita em paralelipípedos e fractura concoidal. Não faz efervescência com ácidos e não tem Fluorescência.
  Origem e Principais Jazidas:
A barite ocorre sobretudo em jazidas de origem hidrotermal, pode occorer em substituição de calcários e dolomitos. Os principais países exploradores de Barite são: China, Índia, Marrocos e EUA. 
 As suas Utilizações: 
A sua importância industrial deve-se  à industria química devido ao Bário. É utilizada para o fabrico de tintas e para a produção de barros e líquidos pesados para o uso em perfurações petrolíferas.

Curiosidade: As famosas "rosas-do-deserto" podem também ser constituídas por Barite.



Barite em destaque (branco ) com capa de Vanadinite (marrom)

Já a Vanadinite, o mineral que neste caso, cobre quase totalmente a Barite... Pertencente à classe dos fosfatos, a sua fórmula química. Pb5(VO4)3Cl mostra que é umm mineral constituidos por Chumbo (Pb) e Vanádio (V). Cristaliza no sitema hexagonal e também pode apresentar-se sob a forma de massas fibro-radiais. É normalmente translucido, podendo ser opaco e a sua cor tipica é o vermelho-alaranjado mas pode também apresentar cores como o amarelo e o castanho, apesar do seu traço ser amarelo. O seu brilho vai de resinoso a sub-adamantino e a sua dureza relativa é de 3 (Escala de Mohs). E Tal como a Barite, a vanadinite é bastante densa, ainda consideravelmente mais que a anterior, com uma densidade na casa dos 7 g/cm3. Outras características que partilha com a barite é a fractura concoidal e não fluorescência  mas não a sua clivagem, pois a vanadinite não apresenta nenhum plano preferencial de ruptura. 
   Origem e Principais Jazidas: 
 Não sendo um mineral comum a vanadita não é um mineral que ocorre como um produto de alteração em jazidas de chumbo e por isso limita-se a ambientes superficiais. As prinipaisn jazidas conhecidas são em Marrocos, África do Sul, Namibia, Argentina e México.
 As suas Utilizações: 
A extração deste minerais deve-se para a produção de Vanádio, que é usado na industria metalúrgica e em chumbo. 


Vanadinite em Barite Branca

domingo, 23 de outubro de 2016

Piropo!

Conhecida como a gema da Boémia, foi ela que deu lugar à actividade da prospecção, lapidação e posterior venda.  O seu nome deriva do grego "pyros" que significa fogo, em alusão à sua cor característica. 

O piropo ( Mg3Al2) pertence à numerosa família das granadas, dentro da qual forma uma série conhecida por piralspite. Este nome é formado por partes dos nomes de 3 minerais : piropo, almandina e espessartite. Pertence à classe dos Silicatos ( Nesossilicatos ), do sistema cúbico, apresenta dureza relativa 7 , fractura irregular e brilho vítreo. 

Piropo
(http://3.imimg.com/data3/GT/PQ/
MY-4495167/garnet-stone-500x500.jpg)

O piropo apresenta-se habitualmente com uma forma esférica, que corresponde a cristais que não chegaram a formar faces diferenciáveis, no entanto, isso não faz com que perca o carácter de gema. Como se trata de uma granada de alumínio e magnésio que se encontra em rochas vulcânicas, como os kimberlitos e eclogitos, teoricamente deveria ser incolor. No entanto, a sua cor intensa deve-se a uma pequena substituição dos iões de alumínio da sua molécula por iões de crómio. 

Piropo
(http://www.foro-minerales.com/
forum/files/granate_rojo_cristal_181.jpg)

O maior piropo do mundo foi encontrado na região da Boémia e atualmente encontra-se no Museu Kunsthistorisches em Viena. Esta gema era também conhecida como "rubi do Cabo" mas foi abandonado esse termo pois induzia em erro os joalheiros da altura. 

(https://pt.pinterest.com/qjalabert
/kunsthistoriches-mus%C3%A9um-vienne/)

A moda das granadas na Boémia atingiu o seu esplendor em meados do século XIX. Exportadas para a Polónia e para a Rússia, tinham grande procura na corte dos czares e, de facto, nos museus russos encontram-se bastantes jóias com piropos. 

Região da Boémia, na Républica Checa
(https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/2/23/
Czech_Rep._-_Bohemia,_Moravia_and_Silesia_III_(en).png)

A principal utilização do piropo é gemológica. É um material excelente para ser talhado e facetado tanto pela sua dureza como por não se fracturar com facilidade. Nalguns países utiliza-se por vezes uma lapidação muito simples, aproveitando as faces naturais do cristal, perfurando-o e utilizando-o como contas de colar. 

Actualmente as jazidas mais importantes encontram-se na África do Sul ( na zona diamantífera de Kimberley ), na Austrália ( Nova Gales ) e na Rússia ( região do lago de Baical ). 

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Tremolite!

A Tremolite deve o seu nome ao local donde provinham os exemplares em que se baseou a sua descrição inicial : Vale de Tremola, na Suiça, próximo do maciço de São Gotardo.

Tremolite
(http://rruff.info/repository/sample/by_minerals/
Tremolite__R061087__Sample__Photo__11056__M.jpg)


Pertence à classe dos Silicatos (Inossilicatos ), é do sistema monoclínico, apresenta uma dureza relativa entre 5 e 6, fractura irregular, brilho vítreo ou sedoso e um traço branco a incolor. 
Uma das principais características da Tremolite ( Ca2Mg5Si8O22(OH)2 ) é formar cristais muito finos com aspecto de fibra ou de agulha. Estes cristais formam quase sempre agregados do tipo  de Asbesto ou Amianto. 


Tremolite verde
( http://www.geology.neab.net
/pictures/rock406.jpg )


A cor que aparece com mais frequência nos cristais de Tremolite é o branco creme, e é precisamente esta cor que identifica os exemplares mais puros. As restantes tonalidades variam entre o cinzento, violeta, amarelo, verde e devem-se às impurezas de componentes alheios à composição química básica da Tremolite. Um bom exemplo é o ferro que na sua composição faz com que o mineral adquira tonalidades verdes. 


Tremolite "Hexagonite"
(http://www.dakotamatrix.com/images/
products/tremolite32855b.jpg)


Esta é uma variedade de Tremolite conhecida pelo nome de Hexagonite e que apresenta uma coloração violeta forte que a torna muito apreciada por coleccionadores.

O Asbesto é uma variedade de Tremolite com grande importância industrial, no entanto a sua utilização decaiu nos últimos anos devido ao perigo que representa para a saúde humana.


Fibras de Asbesto
(http://www.eagleih.com/SiteAssets/
faqs/asbestos-fibrous-chrysotile.jpg)

As fibras de Tremolite são muito finas e elásticas, e durante o tratamento do mineral gera-se pó. Esse pó, que é composto por diminutos pedaços perfurantes dessas fibras podem entrar nas vias respiratórias, atingir os pulmões e espetarem-se nas paredes dos alvéolos pulmonares de modo permanente. É praticamente impossível extrair estas fibras, levando com o passar do tempo, ao aparecimento de doenças. Cancro do pulmão, o mesotelioma ( formação de massa anormal do tecido pulmonar ) e a asbestose ( reação do corpo à introdução destas fibras ( que causam feridas ) tendo como consequência a produção de placas sobre as cicatrizes) são alguns exemplos.. 

Actualmente a utilização de Asbesto é proibida no sector automóvel e em materiais de construção em inúmeros países.  

Consequência da injecção de fibras de Asbesto nas vias respiratórias
(https://i.ytimg.com/vi/10mSTFGj3s8/hqdefault.jpg)


A Tremolite encontra-se essencialmente no Canadá ( enormes jazidas em Ontário ), Estados Unidos, Itália, Suiça e Tanzânia.

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Uma trilobite?! Nooop!

Não, as trilobites não voltaram. O que trago hoje é uma ligia oceanica, também conhecida como "barata-do-mar". Trata-se pois de um  pequeno crustáceos sem carapaça pertencente à ordem Isopoda. São marinhos, dulciaquícolas ou terrestres. Podem  atingir até 3 cm de comprimento,ainda que a que fotografei parecia ultrapassar ligeiramente esta medida.  Alimenta-se de algas e de pequenos animais marinhos, sendo mais activas durante a noite, vivem nos rochedos na zona intertidal.


Ligia oceanica

 Quando a vi mexer na rocha. durante um milésimo de segundo, veio-me à cabeça num pensamento impulsivo, "Ho! Uma trilobite! Enganaram-me, elas ainda existem!! ", mas não, não poderia ser. De facto a única coisa que têm em comum, segundo o que pesquisei, é que na classificação cientifica são animais artrópodes, estes "bichos" até são mais parecidos que os conhecidos "bichos-da-conta", ou em latim Armadillidium vulgare.

Ligia oceanica com escala 

Este animal foi visto no seguimento de uma expedição de campo, com a temática de paleontologia que realizei no dia 3 de Setembro, ao longo de parte da costa litoral da Zona de Sintra. Achei por bem partilhar estas fotos e um pouco da informação que recolhi após ter pesquisado mais sobre esta baratinha! 

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Uvarovite!

A Uvarovite ( Ca3Cr2(SiO4)3 ) é um nesossilicato de cálcio e crómio, foi descoberta em 1832 e  recebeu a sua designação em honra do russo Sergei S.Uvarov que foi um coleccionador de minerais.

Uvarovite
(https://s-media-cache-ak0.pinimg.com/736x/23/
80/03/23800390ebee413c20c79629c6bbf2e8.jpg)

A uvarovite apresenta-se com frequência sob a forma de agrupamentos mais ou menos de pequenos cristais individuais, geralmente bem formados, translúcidos e de cor verde intensa. Pertence à classe dos silicatos, ao sistema cúbico, tem dureza aparente de 6-7,5 , fractura concoidal, brilho vítreo e tem um traço branco. 

Este mineral apresenta-se com frequência sob a forma de agregados de pequenos cristais individuais, bem formados, translúcidos e de cor verde. Esta forma-se no interior das rochas metamórficas, sobretudo as que contêm elevadas concentrações de crómio, ferro e magnésio. Faz ainda parte do grupo das Granadas , juntamente com a Andradite, Piropo, Almandina e Grossulária. 

Agregados
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/
commons/8/86/Uvarovite_(Russie)_3.jpg

A Uvarovite poderia ser uma gema mais importante na joalharia ,por ter uma dureza elavada e por ser difícil de  ser atacada pelos ácidos, no entanto o tamanho dos seus cristais costuma ser reduzido. É , contudo, um mineral muito apreciado no coleccionismo. 

É mais comum ser encontrada em países como a Finlândia, Itália, Rússia, Turquia, Canadá ou EUA. 

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Carbonatitos

São rochas ígneas compostas essencialmente por carbonatos (mais de 50% de Calcite, dolomite e ankerite,), geralmente estão associadas a minerais acessórios como piroxenas ( aegirina, aegirina-augite) e anfibolas (riebequite, glaucófano)alcalinas, biotite, apatite, pirocloro, sulfatos e até mesmo algumas olivinas etc.Magmas com estas características são muito raros,pelo que são conhecido apenas 529 ocorrências pelo mundo, representando menos de 1% da crosta.  Estas por sua vez são rochas básica, mesocrata(nem sempre),normalmente apresentam texturas granulares, quanto ao grau de visibilidade é fanerítica de grãos médios à grosseiros, e quanto à dimensão dos cristais equigranular, pois os cristais apresentam sensivelmente a mesma dimensão.
Carbonatito do Jacupiranga Brasil, Branco( Calcite) magnetite, e olivina
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/f/fc/Carbonatite.jpg
Os carbonatitos são de origens metamórfica, veios hidrotermais, fusão parcial do manto. Normalmente ocorrem na forma de corpos ígneos, intrusivos ou vulcânicos (mais raros), as vezes associados as IMBS (intrusões máficas bandadas), que por sua vez estão associadas a jazidos, ou depósitos de minerais economicamente exploráveis e/ou elementos das terras raras. Estão quase sempre relacionados a rochas silicatadas alcalinas fortemente subsaturadas. Apresentam também metassomatismo alcalinico. Os complexos carbonatiticos são inferiores a 25km2 compostos por múltiplas intrusões de magmas carboniticos e silicatados. Uma sequência típica é o ijolito (Rocha plutónica constituída essencialmente por nefelina (30 a 70%)ou sienito nefelínico(Rocha vulcânica contendo nefelina, clinopiroxena, mais ou menos olivina onde não ocorre o quatzo, que por sua vez é substituído pelo feldspatoide ``Nefelina´´) seguido de carbonatitos. Estes constituem sempre a fase final. Os complexos na sua maioria são marcados pela presença de Kimberlitos (correspondem rochas ultramáficas, ricas em K20, normalmente ocorrem em zonas cratónicas (ou escudos) antigas, são consideradas rocha mãe dos diamantes. Essas,são ricas em voláteis e por isso ascendem rapidamente de zonas profundas do manto e instalam-se violentamente a profundidades próximas da superfície. Muitas contêm diamantes e coesite o que sugere uma origem profunda no manto. Podem ser encontrados em crateras estáveis ou em ambientes de riftes continentais.

Tipos de Carbonatitos:
Carbonatito calcítico:  Onde o carbonato de cálcio  ( Calcite) é predominante.
Carbonatito dolomítico: é aquele em que  o carbonato predominante é a dolomite..
Carbonatito ferroso: composto essencialmente por carbonato ferroso, como a siderite.
Natro-Carbonatito ou carbonatos Alcalinos: constituído essencialmente por carbonatos sódicos, potássicos e cálcicos. Um exemplar mais conhecido é o carbonatito de Oldoinyo Lengai na Tanzânia, o único vulcão activo de natro-corbonatito na terra.
A classificação Segundo  IUGS, é baseada no tipo de carbonato, como se pode observar:
Quando os carbonatitos apresentam grãos de tamanho muito fino, a sua classificação através das  técnicas conhecidas como a microscopia óptica é mais difícil. Neste caso recorre-se a classificação química, que baseá-se  nas proporções dos óxidos de Ca_Mg_Fe.

Estas rochas podem ser fontes de cobre, urânio. e tentálio, por esta razão são importantes economicamente. Elas encontram-se associadas a depósitos estratiformes, e pediformes.
Existem em países como Angola, Brasil, Tanzânia... No território Angolano são conhecido 45 complexos alcalino-carbonatíticos, os quais correspondem a estruturas subintrusivas com morfologia subcircular que se distribuem ao longo de dois alinhamentos tectónicos intra-continentais activos desde o Cretácico Inferior (138-130 Ma). O Complexo Carbonatitico de, Bailundo (CCB) dos que apresenta maior potencial mineiro economicamente explorável situa-se a 11 km a NE da localidade de Bailundo e a cerca de 100 km a NNE da cidade do Huambo, numa região denominada Mungo. Apresenta uma morfologia típica de estrutura anelar com aproximadamente 7km de diamentro e 30km de área. Desenvolve-se na Província Alcalino-Carbonatitica Diagonal Trans-angolana, definida ao longo de um alinhamento SW-NE desde o litoral até a fronteira com Republica Democrática do Congo. 

domingo, 8 de maio de 2016

Pentagonite!

A Pentagonite ( Ca(V4+O)Si4O10.4H2O ) deve o seu nome à maneira como cristaliza, visto que costuma fazê-lo em forma de agregados cristalinos em que aparecem com frequência maclas de cinco cristais que se desenvolvem em conjunto. Esse crescimento gemelar faz com que o cristal pareça ter cinco planos de simetria ou cinco ângulos, razão pela qual foi baptizado com as palavras gregas penta ( significa cinco ) e  gonia ( que significa ângulo ). 


Pentagonite
(http://www.merkabaormusmonoatomicelixirs.org/uploads/
1/4/6/4/14645478/s629328697472846993_p85_i1_w651.jpeg)

Pertence à família dos silicatos, é do sistema rômbico, tem uma dureza aparente de 3-4, fractura serrilhada, uma descamação perfeita numa direcção e um traço branco azulado. Foi descoberta em 1973 no Lake Owyhee State Park, no estado do Oregon, nos Estados Unidos. 



Pentagonite de Oregon
(https://upload.wikimedia.org/wikipedia/
commons/1/1d/Pentagonite-304715.jpg)



A formação deste silicato está relacionada com os processos a que são sujeitas as escoadas de lava à superfície. De um modo geral, a circulação de água pelas fissuras e as cavidades que aparecem nas escoadas faz com que alguns minerais, entre eles a Pentanite e a Cavansite ( silicato que ocorre como mineral secundário em rochas andesíticas e basálticas), formem os seus cristais com os elementos que a água foi dissolvendo da massa de lava. Nestes casos, os exemplares cristalizam nos espaços vazios que ficam no interior das lavas depois de solidificarem. 



Pentagonite
(http://www.mineral-forum.com/
message-board/files/pentagonite_193.jpg)

Uma das características da Pentagonite é o seu pleocroísmo ( mudança de cor consoante a direcção da luz incidente ). A Pentagonite é azul devido ao Vanádio que contém mas, quando muda o ângulo de incidência da luz, a cor desaparece por completo e o mineral parece ser incolor. 

Quase 11,5% do peso da Pentagonite corresponde ao Vanádio, que costuma aparecer sob a forma de um óxido. Por isso, quase toda a Pentagonite que é extraída das jazidas destina-se ao coleccionismo. 
Encontra-se essencialmente nos Estados Unidos e na Índia. 


(https://www.crystalclassics.co.uk/Uploads/Image/
Articles/Munich%20Show%2009
%20part%203/DSC01558.jpg)


O Diamante

Quem nunca ouviu falar de diamantes... Um dos mais conhecidos minerais do mundo, com certeza. Mas porque será? O que tem de especial? Ora vejamos...

Começaremos pelo seu nome, Diamante, vem do grego antigo αδάμας, adámas, que significa invencível ou inalterável, e só por aqui podemos ter uma pista do porque do seu valor. De facto o Diamante é o material natural, que se conhece, com maior dureza no Mundo, dureza de 10 (valor máximo da escala de Mohs), ou seja no domínio dos materiais naturais só um diamante consegue riscar outro diamante, não podendo ser riscado por nenhum outro mineral.

O meu exemplar de colecção tem 3x2x2 mm e provem da República do Gana.


Diamante de colecção do Autor (Ricardo dos Santos)

 Dada a sua dureza e também a sua elevada capacidade de dispersão óptica, que é a capacidade para dispersar a luz de cores diferentes, resultando em seu brilho característico que definiu a designação do brilho adamantino. As suas excelentes propriedades ópticas e mecânicas, combinado com o marketing eficiente, fazem o diamante o mineral mais precioso e dos mais populares usados em joalharia.
 O diamante pode ter várias cores, dependendo do tipo de impurezas que apresente na sua estrutura como a cor azul (boro), amarelo (nitrogénio), negro (com inclusões de grafite), etc., o que é mais usado em joalharia é o diamante incolor, diamante puro, ou seja carbono puro (C).
 Em relação a outras propriedades inerentes ao mesmo... Faz parte da Classe dos elementos nativos, pertence ao sistema cristalino do tipo cúbico, possui densidade 3,52 g/cm3, clivagem octaédrica perfeita e fractura concoidal.

Diamante de colecção do Autor (Ricardo dos Santos)

A sua origem e jazidas... A sua génese tem lugar a grande profundidade, domínios do manto terrestre (140~190 km), a pressões e temperaturas muito elevadas. São expelidos para a crosta em eventos geológicos muito especiais dada a rapidez a que aconteceram e outros factores muito peculiares. A sua rocha portadora é quase sempre o kimberlito, rocha ígnea que enche chaminés vulcânicas "pipes", onde o diamante ocorre sob a forma de fenocristais (cristais maiores que o restante material cristalino que o envolve), este tipo de génese é designado por jazigos primários, porém também à jazigos secundários, principalmente em areias e cascalhos originados por erosão dos depósitos primários.
 Curiosidade: O maior  diamante em bruto foi encontrado em África do Sul com 3106 quilates (621 gramas) que foi partido em vários pedaços, o maior foi trabalhado  e pertence à casa real britânica, é designado Cullian I ou Grande Estrela de África, com 530.4 quilates (106.08 g).

Diamante Cullinan I

As mais antigas jazidas de diamantes já foram esgotadas e localizavam-se na Índia. Os principais produtores actuais são: Rússia, Botswana, República Democrática do Congo, Austrália, Canadá, África do Sul e Angola.

domingo, 1 de maio de 2016

Tectite!

As Tectites são vidros siliciosos de uma cor verde-amarelada e com a superfície bastante rugosa. Também são conhecidas como "lágrimas do céu" e são formadas em resultado de um choque de um meteorito sobre a superfície terrestre. 

Tectites
(http://www.dinodeals.co.uk/saleimages/meteorites/indochinite/1.jpg)

Apresentam uma fórmula variável com sílica ( SiO2), pertencem à classe dos Mineralóides, têm dureza relativa de 5-6, fractura concoidal e brilho vítreo-ceroso. Inúmeras inclusões são comuns, cujas características fazem com que seja fácil distingui-las dos vidros artificiais.  

Os nomes das diferentes variedades de tectite derivam directamente do local onde foram encontradas. Assim, temos a moldavite, da Moldávia; a australite, da Austrália ; a ivorite, da Costa do Marfim; a javalite, da ilha de Java na Indonésia; entre outros.  A Moldavite é considerada uma gema graças à sua incrível cor verde, sendo usada em joalharia. 


Moldavite, proveniente da Moldávia
(http://api.ning.com/files/c2nk1pk6akTs4dwgrqqRhQ0x6505QpcokeH5*
DBJuq31-PDthkz-2Sjt*w8TkYKEm*
9x3ZquiK-kN9kqogD539ASMbp3UeeC/42_17LIGHT.jpg)

Australites, provenientes da Austrália
(https://sites.google.com/site/meteoriticainfo/_/rsrc
/1255704884883/tektitos/tektite-a(australite).jpg)

Ivorite, da Costa do Marfim
(http://www.b14643.de/Tektites/#2.
Tektite & Microtektite)

A queda de um meteorito provoca profundas mudanças nas rochas da crosta terrestre que suportam o seu impacto. Durante o choque, tanto a pressão como a temperatura sofrem um aumento considerável, o que faz com que o material que forma a rocha se transforme. Surge assim uma matéria fundida que, ao solidificar imediatamente após o impacto, forma uma pasta vítrea que por sua vez forma as tectites. 

(http://www.cgenarchive.org/uploads/2/5/2/6/25269392/6293648_orig.jpg)

Um dos locais onde é possível encontrar tectites é o deserto da Líbia, no norte de África. A enorme extensão desértica deste país foi abalada por inúmeros impactos de meteoritos  que transformaram a estrutura da rocha e da areia no local de impacto e criaram as condições de formação de tectites. Estes minerais ficaram disseminados à volta das zonas de impacto e receberam o expressivo nome de "vidro da Líbia". Este vidro é translúcido a transparente e apresenta uma tonalidade amarela-esverdeada. Pensa-se terem cerca de 28 milhões de anos. 


Vidro da Líbia
(https://sites.google.com/site/meteoriticainfo/_/rsrc/
1255704884883/tektitos/tektite-a(australite).jpg)

Existe ainda uma tectite que foi baptizada com o nome de "vidro de Darwin" por ter sido descoberta na Tasmânia por Charles Darwin, durante a sua viagem à volta do mundo a bordo do Beagle


Darwin Glass
(http://www.meteorite-times.com/
Back_Links/2002/June/colectors_corner.htm)