terça-feira, 19 de abril de 2016

O Ouro

 O ouro é um elemento químico de símbolo (Au) e por sua vez um mineral. Do ponto de vista químico, é um elemento do grupo 11 (metais de transição) que pertence ao sexto período da tabela periódica. A sua procura é constante desde a pré-historia, tem o nome de origem latim "aurum" que significa brilhante. Possui cor quente, o que faz deste um metal privilegiado para as jóias pois ele é maleável, dúctil e flexível. Assim sendo, o ouro é encontrado na natureza na forma de metal, sem necessidade de dominar a metalurgia para extrai-lo de um mineral. Encontra-se frequentemente sob a forma de lâminas, em massas irregulares, ou em dendrites, filamentos e pepitas de variadas dimensões. Encontra-se também em pequenas inclusões em minerais como quartzo, em rochas metamórficas e depósitos aluviares (depósito de materiais provenientes da desagregação das rochas e transportados pelas águas correntes para determinado lugar, originando por vezes jazigos de valiosos minérios) originados dessas fontes.  
Apresenta uma estrutura cristalina cúbica de faces centradas, é bom condutor de electricidade e  calor,é insolúvel a todos ácidos, só se dissolvendo em água régia (é uma mistura de acido nítrico e ácido clorídrico concentrados),  e tende a ser pouco reactivo. Muitos cristais de ouro embora que raro e em pequenas dimensões podem ser cúbicos, octaédricos ou  dodecaédricos. 
Ouro em folha do autor (José Xieto)

http://slideplayer.com.br/slide/397267/









Características físicas:
Cor principal : amarelo
"amarelo de ouro característico"
Brilho : metálico
Dureza : 2.5-3.0 (na escala de Mohs)
Densidade : 19.3 g/cm^3
Clivagem : não apresenta clivagem
Fractura : não apresenta fractura
O ouro é mole, mas não se quebra facilmente.

Local de extracção
O ouro é concentrado principalmente em jazidas primárias, isto é, em filões hidrotermais quartzicos de elevada temperatura (nos quais dificilmente é distinguível a olho nu) associado a pirite e arsenopirite. Nas jazidas secundaria; aquelas que correspondem aos aluviões, ele  encontra-se em depósitos de areias e cascalhos proveniente da erosão das jazidas primárias. No que toca ao ouro nativo, às vezes bem cristalizado. Essas camadas são frequentemente associadas ao quartzo. Quando as rochas são desagregadas devido a erosão, o ouro é transportado pelas chuvas e a corrente dos rios, os pedaços de ouro muito densos resultante deste transporte  em formas, rolados e arredondados depositam-se na medida em que o rio vai perdendo a sua energia, ou seja quando a corrente do rio enfraquece e se deposita então em forma de pepitas, e pequenas partículas, dando origem as jazidas chamadas de plácers(é um depósito natural de concentração de minerais a superfície) que são investigadas pelos mineiros e/ou garimpeiros que recuperam o ouro com a bateia. Estes plácers existem no leito dos rios actuais mas também nos lugares onde corriam rios, actualmente extintos. O ouro existe também em fracas quantidades nos minerais, o que faz então muitas vezes ser explorado como sob-produto.
Os principais países produtores de ouro actualmente são a China (que acaba de se tornar o principal produtor mundial), África do Sul, Austrália, Estados Unidos,Rússia,  Peru, o Gana, e o Canadá...
Garimpeiros a procura do ouro com bateia.
http://acritica.uol.com.br/amazonia/Garimpo-Juma_5_470402960.html
Em Angola existe grande potencial de ouro sobretudo no sul do País. As explorações terão inicio brevemente(ainda no segundo semestre deste ano), como comunicado recentemente pelo Ministro de Geologia e Minas, embora se aguarde pela conclusão do Plano Nacional de Geologia (planageo). 
Em Portugal, há ouro sobretudo nas minas de Jales e Penedono, em filões  de quartzo, em Gondomar (mina da tapada), com quartzo e estibina existe também em Lousã, e associados a pirite no Alentejo, em meados deste século ainda se podia encontrar nos aluviões de vários rios portugueses.
Curiosidade:"das maiores reservas de barras de ouro do mundo encontre-se em Portugal" by: Ricardo Santos.

Aplicações mais comuns
O ouro é metal mais utilizado em ourivesaria e  joelharia,  mas a sua fraca dureza, maleabilidade e flexibilidade,  fazem com que as jóias em ouro puro sejam muito frágeis. Entretanto as jóias em África continuam a ser fabricadas com ouro praticamente puro tal como encontrado na natureza (frequentemente 22 quilates, mais de 90% de ouro), fácil de se trabalhar pelos ourives e joalheiros.
Foi utilizado em forma de liga com outros metais o tornando mais resistente e duro : o cobre, a prata, o níquel, a platina e o paládio este ultimo muda de cor, conforme as proporções, ele pode se tornar rosa, cinza, até vermelho ou verde, mas inúmeros países limitam actualmente a utilização de liga com níquel por causa do risco alérgico deste metal.
A liga de ouro, a mais utilizada actualmente em joelharia, contém 75% de ouro puro, e é chamada de 18 quilates (que não tem nada à ver com o quilate, unidade de peso das pedras preciosas pois significa quantidade de ouro puro numa liga metálica, que corresponde 1/24 da massa dessa liga, atribuindo ao ouro puro a valor de 24 quilates). Certos países autorizam ligas de ouro de 9  até 14 quilates.
Anéis de ouro
http://ideiascompernas.com/portfolio/projecto/32/joias-na-bolsa
As moedas de ouro possuem em geral pelo menos 90% de ouro puro.
O ouro é também utilizado em electrónica, por sua vez serve para dourar outros metais, também faz-se aplicações de folhas de ouro para dourar outros suportes tais como molduras, estatuetas como aquelas que são atribuída  nos Oscars...
Em todos os países, o Estado controla o teor de ouro (a proporção de ouro na liga) por intermédio de carimbos específicos permitindo garantir que a jóia ou o objecto seja de ouro verdadeiro e não uma imitação.

A boa educação é moeda de ouro, em toda parte tem valor! :) 

Uraninite !

A Uraninite UO2, embora composta por oxigénio e por urânio, pode chegar a conter quantidades apreciáveis de chumbo, tório, rádio e outros metais raros, pertencentes ao grupo das chamada "terras raras". 
De uma importância científica excepcional, este mineral é radioactivo e deve ser manipulado com muita cautela e que tem de ser guardado dentro de caixas fechadas e protegidas por uma placa de chumbo com uma espessura adequada.

Cristais de Uraninite
(https://en.wikipedia.org/wiki/Uraninite#/media/
File:Uraninite-usa32abg.jpg)

A Uraninite é um mineral opaco com um brilho submetálico ou gorduroso, de cor preta a preta-acastanhada ou amarelada-escura, consoante as variedades. Quando se oxida perde o brilho e dá lugar à Gummita. Em contacto com o ar e a água, a Uraninite vai-se transformando a pouco e pouco numa massa gelatinosa e amorfa com uma composição muito complexa. O seu nome vem do latim "gummi" que significa "goma" ema lusão às massas arredondadas ou espalmadas com o aspecto de goma com que costuma apresentar-se.


Uraninite
(https://upload.wikimedia.org/wikipedia
/commons/d/df/Uraninite-218648.jpg)

Até ao século XVIII este mineral não teve nome até o químico alemão Klaproth ter detectado um novo elemento a que chamou Urânio, em honra da descoberto do planeta Urano. Em 1898 o casal Curie realizou uma descoberta incrível ao encontrar os elementos polónio e rádio na Uraninite. Com esta descoberta, este mineral passava a ocupar um lugar de preferência nos laboratórios científicos mais avançados. 


Funcionamento reactor nuclear
(http://rd9centralelectrica.webnode.pt/desenvolvimento
/centrais-nucleares/como-funciona-uma-central-nuclear-/)


A Uraninite é a principal fonte para obter urânio, o metal radioactivo mais importante do ponto de vista científico, industrial e militar. A civilização apoia-se em duas grandes fontes básicas de energia : os combustíveis fósseis e o urânio. Por ser muito instável, com o passar do tempo o urânio decompões-se em produtos mais leves e mais simples, libertando enormes quantidades de energia atómica, assim chamada por provir da transformação dos átomos. Controlado num reactor nuclear, o calor que o urânio emite quando se desintegra pode ser utilizado para accionar geradores convencionais de turbina a vapor com o objectivo de produzir electricidade. 


Explosão Bomba Nuclear
(http://hypescience.com/wp-content/uploads/2009/09/explosao-nuclear.jpg)

No entanto, quando a massa de urânio num local supera um determinado valor, denominado massa crítica, toda a energia se liberta ao mesmo tempo. Esta é a base da bomba atómica, de grande poder destrutivo. 
A energia atómica liberta-se sob a forma de calor e de outras formas de radiação. São estas radiações que causam lesões irrecuperáveis nas pessoas e nos outros seres vivos que estejam expostos a elas. 


É ainda possível saber com rigor a idade das formações geológicas quando os minerais ou as rochas incluem elementos radioactivos instáveis que se desintegram em elementos estáveis a um ritmo determinado. Assim, o produto final da decomposição do urânio é o chumbo e sabe-se que a vida média deste metal é de 4.470 milhões de anos, o que significa que nesse período de tempo metade do urânio original se deve ter convertido em chumbo. Analisando em laboratório a proporção entre urânio e chumbo de origem radioactiva de um mineral como a uraninite, pode-se determinar a idade desta e obter informação acerca da idade da rocha onde este mineral se encontra disperso. 


sexta-feira, 15 de abril de 2016

Fluorite Amarela!

 Fluorite cúbica amarela, é o que apresento hoje. Esta comprei na feira internacional dos minerais fósseis e gemas em Lisboa 2015. Vem das Astúrias (Espanha). 
 As fluorites, como já escrevi num outro post, podem apresentar um espectro de cores variáveis como as cores do arco íris, e esta fluorite amarela é das cores consideradas mais comuns.

Para saberes mais de características da Fluorite vê o anterior post dedicado a este mineral Aqui.

Dimensões: 12.5x8x5cm

Fluorite Amarela 1.1
 Com cubos de várias dimensões os maiores apresentam 1 cm de aresta. Também a intensidade de cor nos diferentes cubos que constituem este exemplar vão variando entre amarelo torrado a quase incolor e branco.
 Geralmente a Fluorite ocorre associada a soluções hidrotermais as quais mineralizam veios e que podem conter elementos como a barite, ferro, zinco, chumbo, carbonato entre outros que ao formar outros minerais que caracterizam a associação à Fluroite, como é o caso deste eu exemplar que se pode ver neste post anterior. Calcite com Fluorite Amarela e mais!

Fluorite Amarela 1.2

Fluorite Amarela 1.3

Curiosidade: A Fluorite (CaF2) em termos de aplicação industrial tem como principal aplicação no fabrico de ácido fluorídrico de fórmula HF. Para tal Fluorites muito puras são levadas a temperaturas de 350ºC num forno rotativo onde a mistura com Ácido sulfúrico e se forma o HF.

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Goethite!

A Goethite ( FeO(OH)) foi descoberta como novo mineral em 1806 e foi-lhe dado este nome em honra do alemão Johann Wolfgang Goethe. Este mineral encontra-se sob a forma de massas terrosas, concreções, agregados fibrosos, massas reniformers ou estalagmíticas. 

Goethite em forma de concreção
( http://www.dakotamatrix.com/images/products/goethite32921b.jpg )

Pertence à classe dos Hidróxidos, apresenta uma dureza relativa de 5-5,5 e tem um brilho adamantino. A goethite forma-se normalmente a partir de processos de meteorização de minerais ricos em ferro, sendo um componente comum dos solos, concentrando-se em solos lateríticos ( ricos em Ferro e Alumínio e típicos de regiões tropicais de clima húmido e quente ). 


Solos Lateríticos com goethite
( http://www.portaldetecnologia.com.br/
wp-content/uploads/2010/01/Figura-A.3.jpg )

Goethite
( http://www.fabreminerals.com/specimens/s_imagesS8/Goethite-NK6S8fm.jpg )

Goethite vista de um microscópio de luz reflectida
( tirado na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa)
Goethite vista de um microscópio de luz reflectida em nícois cruzados
( tirado na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa)

Durante muitos milénios a goethite foi a principal fonte de fornecimento de ferro. O início da metalurgia do ferro data dos impérios Assírio e Hitita ( XIII_XII a.C) que viviam na Península da Anatólia, actual Turquia. Os Hititas não usavam para fabricar armas mas sim para objectos religiosos e foram os egípcios ,que através de trocas comerciais, espalharam esse conhecimento pelo resto do mundo civilizado. 

(http://www.infoescola.com/wp-content/uploads/2010/02/imperio-hitita.jpg)

Os gregos produziram material para espadas, facas e pregos e ajudaram também a divulgar esta nova maneira de usar o ferro. Hoje em dia o ferro está bem presente no nosso quotidiano : desde automóveis, mobiliário urbano, objectos domésticos, ferramentas e acessórios de vestuário. 
Algumas das jazidas de goethite mais importantes no mundo situam-se em Inglaterra, EUA, Austrália, Brasil e Venezuela. 

Ponte de Ferro em Inglaterra
( http://www.nevillenewnham.co.uk/Shropshire/
Shrewsbury,%20Ludlow%20and%20Ironbridge/Ironbridgea.jpg )


domingo, 27 de março de 2016

Um fóssil de Brachiopoda

 Mais um exemplar, desta vez um fóssil de braquiópode, da minha GeoColecção. Foi me oferecido como tantos que tenho e quero desde já agradecer a todas as pessoas que vêm ter comigo e me oferecem ou colocam à disposição novos elementos para a minha colecção, é graças a elas que tenho muito do material geológico que tenho e que, com ele posso fazer estes posts.

 Os Brachiopoda, palavra que deriva das palavras gregas antigas βραχίων "braço"e πούς "pé", são animais marinhos esteno-halinos, epibentónicos sésseis pedunculados (mais frequentemente), que têm "válvulas"(conchas) mineralizadas podendo estas ser de carbonato de cálcio ou de fosfato de cálcio. Estas são articulados na extremidade traseira, enquanto a parte dianteira pode ser aberta ou fechada para a alimentação e protecção. Existe dois grupos principais reconhecidos, articulados e desarticulados. Os braquiópodes articulados têm dobradiças dentadas e abertura simples e músculos especializados na manobra de abertura e fecho da concha, enquanto braquiópodes desarticulados têm dobradiças sem ornamentação em dente e um sistema mais complexo de músculos usados para manter as duas metades alinhadas. Os braquiópode têm um pedúnculo que se projecta a partir de uma abertura, o forame, que se encontra no valva ventral ou valva peduncular (lado posterior) do animal  mantendo o animal ancorado ao substrato marinho.
Ilustração de um Braquiópode em modo de vida
Com mais de 12000 espécies conhecidas estes animais existem desde o câmbrico (542 Ma). Alguns existem mesmo deste essa período como é o caso da Lingula que é um autêntico "fóssil vivo".
 Os maiores grupos de Braquiópodes estudados são: Lingulata, Obolellida, Strophomenida, Orthodida, Pentamerida, Rhynchonellida, Spiriferida e Terebratulida. São sobretudo importantes como fósseis de fácies, do período Paleozóico.

Feita a introdução teórica passo a descrever  e classificar sugestivamente o meu exemplar de Braquiopode.





Descrição:

 Concha de tamanho médio, ligeiramente biconvexo com contorno elíptico. O umbo é arredondado, curto e de destaque na valva peduncular (lado ventral). O forame é grande, arredondado e circular a oval e está localizado numa extremidade do umbo.
Concha  tendencialmente lisa, excepto finas estrias de crescimento. As comisuras laterais são rectas.

Destribuição: Triásico superior (202 Ma)  - Jurássico inferior (175 Ma)

Taxonomía:
  • Reino: Animalia
  • Superfilo: Lophotrochozoa
  • Filo: Brachiopoda
  • Classe: Calciata
  • Ordem : Terebratulida
  • Subordem: Terebratillidina
  • Familia: Terebratulidae

Platina!

O nome Platina ( Pt ) provém do diminutivo de Prata e foi assim denominada no século XVI quando os exploradores espanhóis descobriram este metal em placers na Colômbia. 

É um membro do grupo da platina e do grupo 10 da tabela periódica dos elementos. A Platina é um elemento muito escasso na crosta terrestre, encontrando-se na proporção de 5 ppm ( parte por milhão , ou seja, por cada quilograma de crosta existem 10 miligramas de platina), e por isso muito valioso.


Platina em forma de pepita, já muito erodida
(http://lemerg.com/652012.html)

Aparece sempre associado a outros minerais, formando ligas, como o ouro, o cobre, o ferro, o níquel e outros ainda do seu grupo ( como o irídio, o paládio, o ródio... ). Pertence ao sistema cúbico, tem uma dureza relativa de 4-4,5, brilho metálico e uma elevada densidade de 21 090 kg/m3.


Platina com ouro
( http://www.goldnuggetsales.com/images/P417A.jpg )


É exactamente a sua elevada densidade responsável pelo seu aparecimento em placers, as suas jazidas. A Platina é libertada das rochas magmáticas em que se encontra, e é arrastada pelas correntes de água dos rios até ser depositada nas margens dos rios ou praias fluviais, quando a força do caudal do rio diminui. Devido ao seu transporte turbulento pelos rios, é comum encontrar-se em pepitas arredondadas com formas globulares, mas também pode apresentar-se como crosta sobre outros minerais ou então formando dendrites. 

Breve esquema explicitando a formação de um placer.
( http://media-2.web.britannica.com
/eb-media/26/1526-004-B5FD325C.jpg )

Graças ao facto de este mineral não se alterar quimicamente perante ácidos, ser de fácil manuseamento em estado puro e não reagir com a maioria dos gases da atmosfera , faz com que seja muito utilizada na joalharia e na indústria tecnológica. 


Pulseira de platina e ouro, com diamantes e safiras.
( https://a.1stdibscdn.com/archivesE/
jewelry/upload/303/157/303_1347124077_2.jpg ) 


Desde pulseiras a anéis, é dos suportes para pedras preciosas mais utilizado, ainda que seja limitada pela dificuldade em conseguir o metal nativo e consequentemente pelo seu elevado preço de mercado. É ainda utilizado em catalisadores ( usados para a obtenção de compostos químicos como o ácido sulfúrico), em materiais militares, na cerâmica, em medicamentos, em próteses médicas e entre outros. 

Um implante : desfribilador cardiovascular.
Imagem que mostra as peças de platina do mesmo.
(http://www.technology.matthey.com/images
/articles/55/2/Woodward-55-2-Apr11-f2.jpg)
A maior parte das jazidas ainda em exploração encontram-se na África do Sul, na Rússia, Canadá e Colômbia. 
Platina no seu estado puro
(http://nevada-outback-gems.com/prospect/
gold_specimen/nugget_platinum02.jpg)

quinta-feira, 24 de março de 2016

Saída de Campo livre à Serra de Montejunto

No dia 4 de Março de 2016 foi dia de saída de Campo, para mim e para três colegas meus, também estudantes de Geologia. O objetivo desta saída de campo foi conhecer a ocorrência de conteúdo fossilífero das unidades aflorantes na Serra de Montejunto (concelhos de Alenquer e Cadaval, distrito de Lisboa).

Mapa Topográfico, com relevo, da Serra de Montejunto.


Segundo a bibliografia consultada (Zbyszewski, G., Ferreira, O da Veiga. (1966) Carta Geológica de Portugal à Escala 1/50000, Notícia Explicativa da folha 30-B Bombarral, Serviços Geológicos de Portugal, Lisboa, 91pp.) no flanco Oeste da Serra afloram as Camadas de Montejunto  (Lusitaniano inferior).  Nestas camadas reconhecem-se duas zonas bem caracterizadas, pelas amonites colhidas no Maciço de Montejunto : a zona de Perisohinctes castroi e a zona de Enosphinctes bukowskii.
A nossa saída incidiu sobre esta última zona caracterizada por fácies mais margosa, com calcários de cor clara passando para calcários margosos separados por leitos finos de margas.


Superfícies de estratificação, das Camadas de Montejunto, com orientação geral WNW-ESE.


À medida que caminhamos no fundo de um vale em direção á Serra começaram a surgir moldes externos e internos de amonites, em blocos soltos, no chão.

Molde Externo de um fragmento de amonite. 
Molde Interno de um fragmento de amonite.

Depois de alguma procura encontramos alguns exemplares de amonites também em superfícies de estratificação.

Molde Externo de uma amonite.

Molde Interno de uma amonite.

terça-feira, 22 de março de 2016

Cuprite!

A Cuprite ( Cu2O)  foi inicialmente descrita em 1845 e seu nome deriva do Latim cuprum, precisamente devido ao seu elevado teor de cobre. 

Cuprite
(https://epochbeads.files.wordpress.com/2014/05/cuprite0815130001.jpg)

Pertence à classe dos óxidos, do sistema cúbico, apresenta um brilho metálico adamantino e uma dureza relativa de 3,5-4. Este mineral é formado em condições muito especiais e no interior da terra. A temperatura tem de ser superior a 1000ºC na sua origem e por este motivo considera-se a Cuprite como um mineral supergénico ( processos supergénicos típicos são a oxidação, hidratação ... ) , aparecendo na zona superior de oxidação dos filões ricos em cobre. 

A estrutura cristalina da Cuprite permite a formação de cubos perfeitos que são usados como exemplos de cristalização regular. No entanto, quando os cristais se desenvolvem pouco, formam-se massas compactas, aparentemente amorfas, sem brilho e com aspecto terroso. 

Cuprite com cristais regulares
(http://www.marinmineral.com/db_pics/pics/a756d.jpg)

Massas compactas de Cuprite
(http://www.bristol.ac.uk/university/media
/centenary/cabinet/cuprite.jpg)

Mais do que um mineral bonito, o seu valor industrial é imenso. Conta com mais de 90% de proporção de cobre e é por isso o minério industrial de cobre com maior rendimento a seguir ao cobre nativo. Aparece muitas vezes associada a outros minerais de cobre como a Malaquite, Crisola e a Limonite. A Malaquite é conhecida por cobrir total ou parcialmente uma camada sobre a Cuprite formando uma curiosa forma de cristal verde por vezes espumante.

Cobre,Cuprite e Malaquite
(https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/b/bd/
Copper-Cuprite-Malachite-181370.jpg)
Existe ainda uma variedade de Cuprite , a Calcotriquite, que origina feixes fibrosos em forma de agulha de cor vermelha intensa. 

Calcotriquite, variedade da Cuprite
(http://www.minerals.net/mineral-variety/
mineral/chalcotrichite.aspx)
As maiores jazidas encontram-se nos EUA, Chile e Rússia.

Cuprite da mina de Ray Mine, no Arizona, EUA
(http://www.mcssl.com/content/assets/39/396267/
Arizona_Page/AZ04-1_Copper_Cuprite-Ray_Mine.jpg

segunda-feira, 21 de março de 2016

Estudo e Classificação das Rochas Por Exame Macroscópio - Livro

Estudo e Classificação das Rochas Por Exame Macroscópio - Capa

 Este livro de 196 páginas, teve como base handouts do falecido Professor Doutor Engenheiro Joaquim Botelho da Costa, enquanto regente de cadeiras de Petrologia no Instituto Superior de Agronomia. Sofreram várias edições pelo próprio autor, ao longo dos tempos que, dada a sua morte relativamente cedo, impossibilitaram que o autor terminasse a obra como teria em mente. 
 Engenheiro agrónomo usava a geologia como ferramenta de trabalho na agronomia, e a compilação dos seus manuscritos neste livro, demonstra a magnificência da simplicidade e clareza com que escreve e transmite conhecimento. Livro este que a Fundação Calouste Gulbenkian já reeditado pela 13ª vez ao longo dos anos.
O autor
 Este livro apesar de utilizar alguma nomenclaturas já um pouco a cair em desuso em geologia, consegue de forma bem estruturada, resumida e simples fazer entender a qualquer leitor a diversidade e a nomenclatura que se aplica a cada família de Rochas. Diria que seria útil para alunos que queiram ingressar na licenciatura em Geologia e que não tenham, ou não considerem ter, os seus conhecimentos gerais de petrologia sãos. Convém articular com a leitura deste livro a procura de imagens relativas a cada tipo de rocha que se esteja a consultar, pois a maior parte não tem nenhuma ilustração e as que tem são a preto e branco e pouco plausíveis (talvez dada a idade dos manuscritos das quais foram fotocopiados).
Estudo e Classificação das Rochas Por Exame Macroscópio 1.1
Estudo e Classificação das Rochas Por Exame Macroscópio 1.2

Relativamente à aquisição deste livro, poderá ser feita numa livraria como a Fnac o Bertrand, mas a maior parte das vezes não se encontra disponível em stock, pelo que ou se manda vir por encomenda ou poderá ir ao à Fundação Calouste Gulbenkian em Lisboa e comprar na Livraria, que caso seja estudante tem um desconto e ficará a menos de 4 euros.
 Na minha opinião seria um bom investimento para um amante de geologia, não só pelo preço. Apesar de ser fundamentalmente um livro de consulta também se lê bem em estilo de narrativa como fiz!

domingo, 20 de março de 2016

Azurite com Malaquite

 Um dos melhores presentes de aniversário que já recebi e um dos maiores e mais recentes exemplares de Azurite Cu3(CO3)2(OH)2 com Malaquite Cu2CO3(OH)2 da minha colecção. Tem cerca de 12x9x8cm proveniente de Marrocos. Com duas inclusões de sulfuretos, Calcopirite ( CuFeS2) ,com uma cor bastante idêntica ao ouro e Arsenopirite (FeAsS) de cor cinza , bem visíveis tornam esta mostra fascinante e muito densa!
 Todos eles elementos têm génese em fluidos hidrotermais que fornecem os meios para a precipitação química destes sulfuretos, a própria Azurite e Malaquite resultam pela meteorização dos depósitos de minério de sulfuretos (Cobre). Vê mais sobre Azurite e associados num outro post Aqui


Azurite & Malaquite 1.1
Azurite & Malaquite 1.2
Azurite & Malaquite 1.3
Azurite & Malaquite 1.4

sábado, 19 de março de 2016

Labradorite!

  A Labradorite recebe o seu nome do local onde foi descoberto por volta de 1770, na península de Labrador, no Canadá onde se encontram as melhores jazidas.

Labrador, Canadá
(http://www.worldatlas.com/webimage/countrys/namerica/province/lgcolor/nfcolor.gif)

  É um mineral que pela sua composição química ((Ca,Na)(Al,Si)4 O8 )insere-se na família das plagioclases , um grupo de silicatos (tectossilicatos ) bastante abundante nas rochas plutónicas e vulcânicas. A labradorite tem a mesma estrutura cristalina da Albite ( rica em sódio ) e da Anortite (rica em potássio ), sendo que a percentagem destes dois define as características do mineral : entre 30-50% de albite e 50-70% de anortite. Apresenta ainda uma dureza relativa de 6 na escala de Mohs, fractura concoidal, brilho vítreo-nacarado e um traço branco. 

Exemplar do autor
  A especial disposição das lamelas cristalinas em que se estrutura a labradorite é a responsável pelo fenómeno conhecido por "labradorescência", representado na foto acima. Caracteriza-se pelo aparecimento de irisações ( efeito de dispersar a luz em raios coloridos como no arco-íris) na superfície do mineral . Para se ver este efeito é necessário estar na direcção de observação e rodar lentamente o mineral até o ângulo de incidência da luz sobre as lamelas for o adequado, então depois será possível observar reflexos azuis, verdes, amarelos entre outros.

Labradorite
(http://www.joaomagalhaes.com/o-tao-do-reiki/wp-content/uploads/2015/04/labradorite22.jpg)
 Como este mineral apresenta uma beleza tão exuberante é utilizado como material de revestimento de edifícios ou mesmo de interiores. 

Mausoléu de Lenine, revestido por vários materiais incluindo Labradrite,
dando o brilho que a foto apresenta.
(http://www.voyages-photos.fr/images/moscou/08moscou.jpg)
Interior de uma cozinha
(http://st.hzcdn.com/simgs/e321926f022879a9_4-4303/traditional-kitchen.jpg)